Thursday, July 03, 2014

“Reconhecerás o teu próprio caminho quando o encontrares, porque subitamente terás toda a energia e imaginação de que alguma vez precisarás.”
Jerry Gillies

TPC's Meditar

Trabalhos Para Casa (TPC) : Sim ou Não?
Os trabalhos de casa dos nossos filhos parecem ser iguais aos que fazíamos quando éramos pequenos. Quando chegamos a casa, à noite, cansados, ainda cheios de obri- gações da rotina, lá estão as crianças, também cheias de obrigações a cumprir. Igualzi- nho. Então, sem nos apercebermos, fazemos o mesmo que os nossos pais, às vezes até conseguimos ouvi-los a dizer aquelas coisas. Salvo raras excepções, em menos de uma hora teremos o drama:... haverá choro, queixas, birras, tentaremos pôr alguma ordem no caos, dificilmente conseguiremos, e, à beira do desespero, alguns de nós, começaremos a dar as respostas correctas. Este é um exercício emocional espantoso que pode ocorrer diariamente, caso não estejamos atentos ao disparate que este momento se pode tornar.
Através dos TPC que a criança leva e traz da escola, os pais e professores desenvolvem uma teia de relações e avaliam-se uns aos outros. Um antigo provérbio africano diz: “É a aldeia toda que educa a criança”, numa demonstração de que as responsabilidades educativas, mesmo nas sociedades mais primitivas, sempre estiveram distribuídas por várias instituições.
Na Bélgica, o Ministério da Educação proibiu os TPC em 2001. Até aos 8 anos de ida- de, não há TPC. Legislaram no sentido de proibir ou reduzir os trabalhos de casa: está interdito passar TPC aos alunos dos dois primeiros anos de escolaridade, no 3o e 4o anos os trabalhos de casa são permitidos desde que não ocupem mais de 20 minutos por dia, e no 5o e 6o anos, não devem ir além da meia hora diária (Público, 1/9/01). A Finlân- dia, a Dinamarca, o Luxemburgo, a França, a Grécia e alguns estados alemães, também legislaram a respeito destes limites aos TPC.
Os TPC são importantes quando servem para responsabilizar os alunos e sistematizar as aprendizagens. Devem ser trabalhos significativos e envolver outras fontes para além do manual escolar, num espírito de busca do saber, de investigação. Definitivamente não de- vem ocupar um tempo mais longo do que aquele já pensado na legislação de outros países europeus. O TPC deve ser valorizado e comentado no contexto da sala de aula: o trabalho de casa não comentado em sala de aula provoca no aluno uma desmotivação automática e vai comprometer a sua disponibilidade para fazer o próximo trabalho de casa.
Menos tempo de TPC, uma diferente metodologia e um olhar atento à legislação de outros países europeus, fariam toda a diferença para as nossas crianças, pais e professores, tra- zendo alguma sensatez nas relações entre todos e alguma paz familiar no fim do dia.



sandrajoaquim
 

O meu filho....

MENSAGEM DO DIA
O meu filho
Um filho.
Ele é o nó no meu cabelo....
O esmalte descascado na minha unha,
as olheiras no meu rosto.
Ele é o brinquedo na gaveta de roupas,
o amassado nas páginas do meu livro,
o rasgado no meu caderno de anotações.

Ele é o melado no controle remoto,
o canal de televisão,
o filme no DVD.
Ele é o farelo no sofá,
As tesouras no alto.
Ele é o backup no computador,
o mouse escondido,
as cadeiras longe da janela.
Ele é a marca de mão nos móveis,
o embaçado nos vidros,
o desfiado nos tecidos.
Ele é o ventilador desligado,
a porta do banheiro fechada,
a gaveta da cômoda aberta.
Ele é o coque na minha cabeça,
o amarrotado nas roupas,
as frutas fora da fruteira,
os panos de prato amarrando os armários.
Ele é o meu shampoo cheio de água,
a espuma no chão do banheiro,
o brinquedo dentro da privada.
Ele é o interruptor nas tomadas.
Ele é o peixe no aquário,
a árvore de natal,
os "pisca-piscas" de todas as casas.
Ele é o círculo, o susto.
A primeira visão da lua no começo da noite.
O valor do trabalho, a vontade de aprender,
a minha força,
a minha fraqueza,
a minha riqueza.
Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada,
a ausência de sono diante de uma febre.
Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade.
O cheirinho no meu travesseiro,
o barulho,
a metade,
o azul.
Ele é o vazio triste no silêncio de dormir,
o meu sono leve durante a noite.
Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo.
A minha pressa de levantar da cama,
a minha espera de bom dia.
Ele é o arrepio quando me chama,
a paz quando me abraça,
a emoção quando me olha.
Ele é meu cuidado, a minha fé,
o meu interesse pela vida,
a minha admiração pelas crianças,
o meu respeito pelas pessoas,
o meu amor por Deus.
É o meu ontem,
o meu hoje,
o meu amanhã.
Ele é a vontade,
a inspiração,
a poesia.
A lição, o dever.
Ele é a presença, a surpresa
a esperança.
A minha dedicação.
A minha oração.
A minha gratidão.
O meu amor mais puro e bonito.
O meu filho é a minha vida!

Rádio Terra Venâncio Aires.

Wednesday, July 02, 2014

"Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino ...
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves."

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"”