Trabalhos Para Casa (TPC) : Sim ou Não?
Os trabalhos de casa dos nossos filhos parecem ser iguais aos que fazíamos quando éramos pequenos. Quando chegamos a casa, à noite, cansados, ainda cheios de obri- gações da rotina, lá estão as crianças, também cheias de obrigações a cumprir. Igualzi- nho. Então, sem nos apercebermos, fazemos o mesmo que os nossos pais, às vezes até conseguimos ouvi-los a dizer aquelas coisas. Salvo raras excepções, em menos de uma hora teremos o drama:... haverá choro, queixas, birras, tentaremos pôr alguma ordem no caos, dificilmente conseguiremos, e, à beira do desespero, alguns de nós, começaremos a dar as respostas correctas. Este é um exercício emocional espantoso que pode ocorrer diariamente, caso não estejamos atentos ao disparate que este momento se pode tornar.
Através dos TPC que a criança leva e traz da escola, os pais e professores desenvolvem uma teia de relações e avaliam-se uns aos outros. Um antigo provérbio africano diz: “É a aldeia toda que educa a criança”, numa demonstração de que as responsabilidades educativas, mesmo nas sociedades mais primitivas, sempre estiveram distribuídas por várias instituições.
Na Bélgica, o Ministério da Educação proibiu os TPC em 2001. Até aos 8 anos de ida- de, não há TPC. Legislaram no sentido de proibir ou reduzir os trabalhos de casa: está interdito passar TPC aos alunos dos dois primeiros anos de escolaridade, no 3o e 4o anos os trabalhos de casa são permitidos desde que não ocupem mais de 20 minutos por dia, e no 5o e 6o anos, não devem ir além da meia hora diária (Público, 1/9/01). A Finlân- dia, a Dinamarca, o Luxemburgo, a França, a Grécia e alguns estados alemães, também legislaram a respeito destes limites aos TPC.
Os TPC são importantes quando servem para responsabilizar os alunos e sistematizar as aprendizagens. Devem ser trabalhos significativos e envolver outras fontes para além do manual escolar, num espírito de busca do saber, de investigação. Definitivamente não de- vem ocupar um tempo mais longo do que aquele já pensado na legislação de outros países europeus. O TPC deve ser valorizado e comentado no contexto da sala de aula: o trabalho de casa não comentado em sala de aula provoca no aluno uma desmotivação automática e vai comprometer a sua disponibilidade para fazer o próximo trabalho de casa.
Menos tempo de TPC, uma diferente metodologia e um olhar atento à legislação de outros países europeus, fariam toda a diferença para as nossas crianças, pais e professores, tra- zendo alguma sensatez nas relações entre todos e alguma paz familiar no fim do dia.
sandrajoaquim
Os trabalhos de casa dos nossos filhos parecem ser iguais aos que fazíamos quando éramos pequenos. Quando chegamos a casa, à noite, cansados, ainda cheios de obri- gações da rotina, lá estão as crianças, também cheias de obrigações a cumprir. Igualzi- nho. Então, sem nos apercebermos, fazemos o mesmo que os nossos pais, às vezes até conseguimos ouvi-los a dizer aquelas coisas. Salvo raras excepções, em menos de uma hora teremos o drama:... haverá choro, queixas, birras, tentaremos pôr alguma ordem no caos, dificilmente conseguiremos, e, à beira do desespero, alguns de nós, começaremos a dar as respostas correctas. Este é um exercício emocional espantoso que pode ocorrer diariamente, caso não estejamos atentos ao disparate que este momento se pode tornar.
Através dos TPC que a criança leva e traz da escola, os pais e professores desenvolvem uma teia de relações e avaliam-se uns aos outros. Um antigo provérbio africano diz: “É a aldeia toda que educa a criança”, numa demonstração de que as responsabilidades educativas, mesmo nas sociedades mais primitivas, sempre estiveram distribuídas por várias instituições.
Na Bélgica, o Ministério da Educação proibiu os TPC em 2001. Até aos 8 anos de ida- de, não há TPC. Legislaram no sentido de proibir ou reduzir os trabalhos de casa: está interdito passar TPC aos alunos dos dois primeiros anos de escolaridade, no 3o e 4o anos os trabalhos de casa são permitidos desde que não ocupem mais de 20 minutos por dia, e no 5o e 6o anos, não devem ir além da meia hora diária (Público, 1/9/01). A Finlân- dia, a Dinamarca, o Luxemburgo, a França, a Grécia e alguns estados alemães, também legislaram a respeito destes limites aos TPC.
Os TPC são importantes quando servem para responsabilizar os alunos e sistematizar as aprendizagens. Devem ser trabalhos significativos e envolver outras fontes para além do manual escolar, num espírito de busca do saber, de investigação. Definitivamente não de- vem ocupar um tempo mais longo do que aquele já pensado na legislação de outros países europeus. O TPC deve ser valorizado e comentado no contexto da sala de aula: o trabalho de casa não comentado em sala de aula provoca no aluno uma desmotivação automática e vai comprometer a sua disponibilidade para fazer o próximo trabalho de casa.
Menos tempo de TPC, uma diferente metodologia e um olhar atento à legislação de outros países europeus, fariam toda a diferença para as nossas crianças, pais e professores, tra- zendo alguma sensatez nas relações entre todos e alguma paz familiar no fim do dia.
sandrajoaquim
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