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Thursday, January 12, 2017

Álvaro Feijó "OS DOIS SONETOS DE AMOR DA HORA TRISTE"

OS DOIS SONETOS DE AMOR DA HORA TRISTE (Álvaro Feijó)

 I

Quando eu morrer — e hei de morrer primeiro...

Do que tu — não deixes de fechar-me os olhos
Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
E ver-te-ás de corpo inteiro.
Como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
Fecha-me os olhos com um beijo.
Farei a nebulosa travessia
E o rastro da minha barca
Segui-los-á em pensamento. Abarca
Nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus,


 II


Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já,
Como a alguém que se espera a cada instante.
Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.
E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora
Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?







Mário Soares
Nascimento:
7 de dezembro de 1924, Lisboa
Falecimento: 7 de janeiro de 2017, Lisboa



+ vídeo que a RTP com o cortejo fúnebre, jan 2017https://www.facebook.com/rtpnoticias/videos/1205041659582195/

"Mário Alberto Nobre Lopes Soares GColTE • GColL • GCC (Lisboa, 7 de dezembro de 1924 – Lisboa, 7 de janeiro de 2017) foi um político português.
Político de profissão e vocação, co-fundador do Partido Socialista, a 19 de abril de 1973, o percurso de Mário Soares inicia-se nos grupos de oposição ao Estado Novo, atividades que levariam o governo de Salazar a deportá-lo para São Tomé[1], onde permaneceu até o governo de Marcello Caetano lhe permitir o exílio em França[2].
No processo de transição democrática subsequente ao 25 de abril de 1974 afirma-se como líder partidário no campo democrático, sendo ainda Ministro de alguns dos governos provisórios. Em seguida foi Primeiro-Ministro dos I, II e IX governos constitucionais, acompanhando o processo de construção de políticas sociais pré-adesão às Comunidades Europeias.

Foi Presidente da República Portuguesa durante dois mandatos, entre 1986 e 1996."

+Wikipedia 


+ vídeo que a RTP com o cortejo fúnebre, jan 2017
https://www.facebook.com/rtpnoticias/videos/1205041659582195/